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Viagens

Os melhores pratos internacionais para viajantes 🍣🌮🥘🍜🍕

Uma volta ao mundo em 19 pratos imprescindíveis: o que são, o que levam e como aproveitá-los, com o que custa comer em cada país.

Pode contar-se um país pelos seus monumentos, mas percebe-se muito melhor pela sua mesa. Cada prato traz consigo séculos de história, clima e carácter: o picante que desperta, o guisado que reconforta, o doce que se partilha. Esta é a nossa volta ao mundo em 19 pratos imprescindíveis, com o que leva cada um, uma dica para o desfrutares como um local e uma ligação à ficha do país para veres quanto custa comer lá e ajustares o orçamento.

A gastronomia atrai-te? Compara o preço de comer e viver entre destinos no comparador de preços e prepara o roteiro com o nosso guia de conselhos para viajar para outro país.

Pad Thai 🍜 - Tailândia TH

O prato bandeira da Tailândia: fideos finos de arroz salteados no wok com ovo, tofu firme e camarão ou frango, ligados com um molho de tamarindo, molho de peixe e um toque de açúcar de palma que equilibra o doce, o ácido e o salgado. Remata-se à mesa com rebentos de soja crocantes, amendoim picado, cebolinho e um bom espremido de lima.

Dica: procura-o em bancas de rua e mercados noturnos com muita fila de gente local: a rotação constante é a melhor garantia de que o wok está fresco e a lume forte. Espreme a lima tu mesmo e vai adicionando o açúcar e a malagueta em pó aos poucos até encontrares o teu ponto.

Pizza napolitana 🍕 - Itália IT

A joia do sul de Itália: uma massa fermentada devagar, fina e macia no centro e com a borda (cornicione) inchada e um pouco tostada do forno a lenha. Por cima, o essencial: tomate San Marzano, mozzarella de búfala, manjericão fresco e um fio de azeite. Simplicidade levada à perfeição.

Dica: escolhe uma pizzaria com forno a lenha a sério, de preferência com o selo Vera Pizza Napolitana, e come-a mal sai do forno, sem esperar. A napolitana autêntica serve-se mole no centro: come-se com faca e garfo ou dobrando-a, não estranhes se não chegar estaladiça.

Sushi 🍣 - Japão JP

Toda a precisão do Japão numa dentada, seja nigiri (uma lâmina de peixe sobre arroz), sashimi (só peixe) ou maki (rolinho com alga): peixe fresquíssimo e arroz avinagrado no ponto certo de temperatura e tempero. Cada peça está pensada para se comer de uma só vez.

Dica: senta-te ao balcão e deixa-te guiar pelo itamae (o mestre sushi); pede omakase e deixa-o decidir. Foge dos bufês livres muito baratos, onde o frescor do peixe cru é uma incógnita. Molha só o lado do peixe no molho de soja, nunca o arroz, e guarda o gengibre para limpares o paladar entre peças.

Ceviche - Peru PE

O orgulho do Peru: cubos de peixe branco cru "cozinhados" a frio pelo ácido do sumo de lima, com cebola roxa, malagueta, coentros e sal. Acompanha-se de batata-doce e milho para arredondar esse contraste de fresco, ácido e picante que vicia. O sumo que sobra chama-se leite de tigre.

Dica: prova-o ao meio-dia, que é quando o peixe é do dia; desconfia do ceviche que já tem horas feito ou que te servem à noite. Sendo peixe cru, se tiveres o estômago sensível, vai a uma cevicheria com boa fama e muito movimento em vez de uma banca improvisada.

Feijoada 🍲 - Brasil BR

O prato nacional do Brasil: um guisado potente de feijão-preto cozido em lume brando com várias partes do porco (costela, entremeada, enchidos) e por vezes vaca. Serve-se com arroz branco, farofa (farinha de mandioca torrada), gomos de laranja e couve refogada, que aligeiram tanta fartura.

Dica: é comida de reunião e de sobremesa longa, por isso vai com fome e sem pressa. Em muitos sítios é prato de quarta-feira e sábado; procura-a em restaurantes tradicionais ou botecos de bairro. A laranja não é decoração: ajuda a digerir o guisado.

Tajine - Marrocos MA

O guisado lento de Marrocos, que dá nome à característica panela de barro com tampa cónica onde se cozinha. Dentro, borrego, frango ou legumes estufados durante horas com cominho, gengibre, curcuma e açafrão, quase sempre com um contraponto doce de ameixa, tâmara ou alperce e, por vezes, amêndoa.

Dica: pede-o num restaurante tradicional ou à mesa de um riad, onde o cozinham devagar e na hora. Melhor o do dia, que terá mais horas de cozedura. Molha-se com pão em vez de talheres, e convém encomendá-lo com antecedência porque não é prato de pressas.

Pho 🍜 - Vietname VN

O abraço em forma de sopa do Vietname: um caldo aromático cozinhado durante horas com ossos de vaca, gengibre, anis-estrelado e canela, servido com fideos planos de arroz e lâminas finas de vaca ou frango. À parte chegam ervas frescas, rebentos, lima e malagueta para o acabares ao teu gosto.

Dica: é o pequeno-almoço por excelência, por isso procura-o de manhã em locais muito frequentados onde o caldo se renova diariamente. Junta as ervas, a lima e a malagueta aos poucos e vai provando entre cada adição: o equilíbrio és tu que fazes na taça.

Paella 🥘 - Espanha ES

O arroz mais universal de Espanha: a paella valenciana original leva frango, coelho, garrofó e feijão-verde, açafrão e alecrim, cozinhados em lume vivo numa frigideira larga e rasa até o arroz ficar solto e se formar o socarrat, aquela camada tostada do fundo que é o mais cobiçado.

Dica: procura-a numa arrozaria ou restaurante especializado e, se possível, ao meio-dia, que é quando se come arroz. Foge das fotos plastificadas e dos cartazes de "paella o dia todo" nas zonas mais turísticas. A boa faz-se por encomenda e para um mínimo de duas pessoas, por isso conta esperar entre vinte e trinta minutos.

Poutine - Canadá CA

O prazer culposo do Quebeque, no Canadá: batatas fritas cobertas de cheese curds (queijo fresco em grão, que range à dentada) e banhadas num molho gravy quente que derrete o queijo só o suficiente. Reconfortante e calórico, sobretudo no inverno.

Dica: aprecia-se em sítios informais, diners e casas de comida rápida; pede-a mesmo feita, porque a graça está no contraste entre o molho a ferver e o queijo ainda firme. Se a deixares repousar, as batatas amolecem e perde-se toda a magia.

Bobotie - África do Sul ZA

Um clássico caseiro da África do Sul: carne picada temperada com caril, curcuma e um toque doce de fruta (passas ou compota), coroada com uma camada de ovo batido com leite e levada ao forno até talhar, a meio caminho entre o rolo de carne e uma quiche. Serve-se com arroz amarelo e chutney.

Dica: é prato de cozinha caseira, por isso encontrá-lo-ás melhor em restaurantes de cozinha tradicional do que em sítios da moda. Esse contraste de temperado e doce surpreende: pede-o com o arroz amarelo e um pouco de chutney para o viveres como deve ser.

Baklava - Turquia TR

O doce que define a Turquia: finíssimas camadas de massa filo intercaladas com nozes ou pistácio picado, levadas ao forno até dourar e embebidas em calda de açúcar (por vezes com água de rosas). O resultado é estaladiço por fora, sumarento por dentro e intensamente doce.

Dica: compra-o numa pastelaria especializada (baklavacı), onde o fazem no próprio dia; o pistácio de Antep é o mais apreciado. Uma peça pequena rende muito, porque é muito doce: acompanha com um chá ou um café turco sem açúcar para cortar o doce.

Fish and chips - Reino Unido GB

A instituição do Reino Unido: um bom lombo de peixe branco (bacalhau ou arinca) envolto numa massa leve de farinha e cerveja e frito até ficar dourado e estaladiço, com batatas fritas grossas ao lado. Comida simples, generosa e de sempre.

Dica: procura-o num chippy de bairro (a fritanguinha tradicional) em vez de num pub turístico, e pede-o para levar, mesmo saído da fritura. O clássico é regar com sal e vinagre de malte; se te atreveres, acompanha com mushy peas (puré de ervilhas).

Kimchi - Coreia do Sul KR

A alma da mesa da Coreia do Sul: couve chinesa (e outros legumes) fermentada com alho, gengibre, cebolinho e gochugaru (malagueta coreana em flocos). O resultado é picante, ácido e profundamente saboroso, e melhora com a fermentação.

Dica: não se pede como prato: aparece automaticamente como acompanhamento (banchan) em quase qualquer restaurante coreano e costuma ser de repetição grátis. Por ser fermentado tem um aroma forte e um toque picante; começa com pouco se não estiveres habituado e usa-o para limpar o palato entre bocados de carne.

Ratatouille - França FR

O prato de verão da Provença, em França: beringela, courgette, pimento, cebola e tomate guisados devagar, cada legume no seu ponto, com alho e ervas da Provença. Simples, vegetal e cheio de sol; come-se morno ou à temperatura ambiente.

Dica: encontrá-lo-ás em bistrôs e restaurantes de cozinha do sul, de preferência na época de verão, quando os legumes estão no seu melhor. Funciona tanto como acompanhamento como prato leve, e costuma estar bom também no dia seguinte.

Tacos al pastor 🌮 - México MX

O emblema de rua do México: porco marinado em achiote e especiarias, espetado num trompo vertical que gira junto ao lume, do qual se corta em lâminas finas diretamente sobre uma tortilha de milho pequena. Remata-se com cebola, coentros, um pedacinho de ananás assado e molho.

Dica: procura taquerias com o trompo à vista e muita clientela, sobretudo à noite, que é quando estão no ponto. Pedem-se de três em três e comem-se com a mão. Pede os molhos à parte e prova-os com cautela: os que parecem inofensivos costumam ser os mais picantes.

Ajiaco - Colômbia CO

A sopa de Bogotá, na Colômbia: um caldo espesso de frango com três variedades de batata (uma delas desfaz-se e dá-lhe corpo), maçaroca de milho e guascas, uma erva aromática local que lhe dá o sabor característico. Serve-se com alcaparras, natas, abacate e arroz à parte.

Dica: é prato de terra fria e planalto, perfeito para aquecer; procura-o em restaurantes de cozinha tradicional. Chega quente e generoso, por isso vai com fome. Junta tu as natas e as alcaparras a gosto para o arredondares.

Pato à pequinesa - China CN

O prato de gala da China: um pato assado até a pele ficar laqueada, fina e estaladiça, que se separa da carne suculenta. Monta-se à mesa sobre crepes finos de trigo com molho hoisin, tiras de pepino e cebolinho. Todo um ritual.

Dica: pede-o num restaurante especializado, onde muitas vezes trinicham o pato à tua frente, e reserva com antecedência porque costuma preparar-se por encomenda. É prato para partilhar: vai em grupo para o aproveitares por inteiro e não ficares só com a pele.

Assado 🥩 - Argentina AR

Mais do que um prato, um ritual na Argentina: diferentes cortes de vaca (tira de asado, vazio, entranha) e miudezas como as mollejas, feitos sem pressa na grelha, a lume de lenha ou carvão, e servidos com chimichurri. A sobremesa é parte da receita.

Dica: vai a uma churrascaria (parrilla) e com fome, porque as doses são generosas e tudo gira à volta da carne. Deixa-te aconselhar sobre o corte e, se gostares suculenta, pede-a "no ponto" ou "suculenta"; na Argentina tendem a fazê-la mais passada do que é costume noutros sítios.

Pastel de choclo - Chile CL

Conforto puro do Chile: uma base de pino (carne picada, frango, ovo cozido, azeitonas e passas) coberta com uma pasta de milho tenro (choclo) moído e levada ao forno numa paila de barro até a crosta dourada caramelizar um pouco com açúcar.

Dica: é prato de verão (quando o milho está no ponto) e de cozinha caseira; procura-o em restaurantes de comida chilena tradicional. Chega muito quente na sua caçarola de barro, por isso dá-lhe um minuto. O contraste entre o milho doce e o recheio salgado é mesmo a sua graça.


A cozinha do mundo nunca se esgota, e prová-la é a forma mais saborosa de perceber cada destino. Para que o capricho não coma o orçamento, consulta antes o preço da comida e o custo de vida de cada país na sua ficha ou no comparador de preços. E se ficares por uma temporada, vai dar-te jeito o nosso guia para viver noutro país. Bom apetite!

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